Musa inspiradora, mística, cheia de tradição e modernidade. Estas palavras traduzem a maneira dos soteropolitanos festejarem o aniversário desta cidade que completa 459 anos, neste 29 de março, sábado de outono. Salvador, também chamada de “Terra de Todos os Santos”, é moderna com charme de província e ares de metrópole. Sim, Salvador abriga aproximadamente 2.600.000 habitantes. Foi a primeira capital do Brasil e, no passado, era apenas uma Aldeia Tupinambá.
A fundação da cidade nesta data é cheia de polêmica, pois os historiadores se fixaram entre 1509/1511, chegada de Diogo Álvares, o Caramuru (que se apaixonou pela índia Catarina Paraguaçu) e 1535 (data de instalação da Capitania Hereditária da Bahia, com Francisco Pereira Coutinho); e é entre 1535/1549 (data de chegada da armada de Tomé de Souza) que se dá a miscigenação nacional com a união entre nativos tupinambás e europeus. Para o historiador Cid Teixeira, a decisão do Instituto de Geografia e História da Bahia, IGHB, de considerar o 29 de março de 1549 é correta. Segundo ele, “não se inclui o período da capitania, não tinha motivo para fazer isso”.
É melhor deixar esta discussão com os historiadores e festejar a data como os baianos gostam. Como? Cantando e dançando. Aprecio a boa música popular brasileira e a Bahia tem muitos talentos que merecem destaque. Uma música que acredito retratar bem a alma desta cidade foi composta por Gerônimo. “Nessa cidade todo mundo é d’Oxum/ Homem, garoto, menina, mulher /Toda essa gente irradia magia /Presente na água doce /Presente na água salgada /E toda a cidade brilha…” Outra muito interessante também, composta por Dorival Caymmi e marcante na voz de Gal Costa. “São Salvador, Bahia de São Salvador /A terra de Nosso Senhor /Pedaço de terra que é meu /São Salvador, Bahia de São Salvador /A terra do branco mulato /A terra do preto doutor /São Salvador, Bahia de São Salvador /A terra do Nosso Senhor /Do Nosso Senhor do Bonfim /Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador /Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador”. E, por falar em Caymmi, quem não se lembra desta: “No tabuleiro da Baiana tem/ Vatapá, Carurú, Mungunza tem Ungu pra iô iô/Se eu pedir você me dá/o seu coração,seu amor de ia ia/No coração da Baiana também tem/Sedução, cangerê, ilusão, candomblé /Pra você…”
É uma pena que nos últimos anos sucesso por aqui significa “Axé Music” do tipo – Mulher Brasileira (toda boa), do Psirico. A música foi composta por Márcio Victor e J.Telles e interpretada por Márcio Victor, que recebeu o Troféu Dodô e Osmar do Carnaval de 2008. A letra é uma verdadeira onomatopéia musical que entorpece nossos ouvidos sem nada a acrescentar. E temos que agüentar várias piadinhas cafajestes sobre mulher. Desmoralizando as mulheres reais, que trabalham fora, cuidam dos filhos e da casa, tem uma beleza natural. Para ser mulher “toda boa” é preciso ter amor-próprio e ser feliz. Ponto.
A aniversariante que completa 459 anos neste sábado, têm um cheiro que inspira os poetas e uma luminosidade incomum. Um mar que purifica e enche de energia os moradores e os visitantes que pisam nesta terra. É gostoso apreciar as nossas belezas naturais, particularmente a praia do Porto da Barra, o dia-a-dia das gentes que circulam por ali. O Porto é o lugar onde tudo começou; lá está o marco de fundação da cidade, desta capital da Bahia.
Aqui se aprende a curtir a vida e aproveitar…. Cidade alegre, hospitaleira, cujas desigualdades sociais chegam mesmo a ferir os nossos olhos, mas que também possui um vigor natural, que é sempre renovado. Por aqui é comum deixar de lado o desânimo para festejar as pequenas alegrias.
Esperança, espiritualidade e misticismo. São elos comuns desta aniversariante que é uma metrópole-provinciana e merece ser chamada de “terra de todos nós”.
Parabéns, Salvador! Bahia de todos os Santos e Axés.